De 15 de junho a 5 de julho, Fundação Clóvis Salgado traz ao público de Belo Horizonte a mostra de cinema Os Jovens Anos 90, no Cine Humberto Mauro.

A Mostra exibe filmes dos anos 90,  abordando a  geração que alcançou a adolescência ou idade adulta no início dos anos noventa e que estão inseridos em um contexto cultural confuso: o fim da Guerra Fria e da União Soviética, a prometida revolução tecnológica, a queda do muro de Berlim, a Guerra do Golfo, o grunge, o surgimento da world wide web, o aumento dos casos de AIDS, os videogames, a falta de perspectivas para o novo milênio, o slackerism (o tédio e a apatia crônicos, a depressão e a insegurança) e a falta de pautas a se lutar caracterizaram obras que trazem um retrato dessa juventude confusa que procurava buscar sua identidade.

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Programação

Como pontos centrais da mostra, destacam-se os longas norte-americanos Slacker (1991), de Richard Linklater, e Kids (1995), de Larry Clark. Tratando de um dia na vida de diferentes jovens de vinte e poucos anos que se sentem deslocados na cidade de Austin, no Texas, Slacker trata do clima de apatia, paranoia e ódio dos adolescentes da década de 90. Já Kids, longa polêmico que se tornou um clássico e marco cultural da geração, conta a história de um grupo de jovens residentes de Nova York que vivem em meio ao consumo de drogas, bebidas, e sexo desprotegido. 

Com uma estética que beira a estilização dos videoclipes da MTV – jogos de câmera rápidos, trilha sonora ritmada, etc – os cultuados Trainspotting - Sem Limites (1996), de Danny Boyle, narrativa acerca da rotina de jovens viciados em heroína, e Corra, Lola, Corra (1998), de Tom Tykwer, na qual a namorada de um contrabandista o ajuda a recuperar uma sacola de dinheiro em uma corrida desesperada por Berlim, também fazem parte da mostra. 

Os Jovens Anos 90 também exibirá Coração Selvagem (1990), de David Lynch, As Patricinhas de Beverly Hills (1995), de Amy Heckerling, O Grande Lebowski (1998), de Joel Coen e Ethan Coen, As Virgens Suicidas (1999), de Sofia Coppola, Segundas Intenções (1999), de Roger Kumble e Os Idiotas (1998), de Lars von Trier. O último, no qual um grupo de amigos decide virar as costas para as regras sociais e explorar a idiotice como valor de vida, faz parte do manifesto cinematográfico Dogma 95, conjunto de regras formatadas pelos cineastas Thomas Vinterberg e Lars von Trier visando produções mais realistas e menos comerciais. Julien Donkey-Boy (1999), de Harmony Korine, que cumpre com as regras desse manifesto, também faz parte da mostra.

Adeus ao Sul (1996), do diretor taiwanês Hsiao-Hsien Hou, Vida Sem Destino (1997), do americano Harmony Korine, e os franceses Nenette e Boni (1996), de Claire Denis, e Os Amantes da Pont-Neuf (1991), de Leos Carax, também serão exibidos. Pertencentes ao chamado Cinema Contemporâneo, os longas exploram a narrativa visual, com grande interesse no fluxo, na passagem do tempo e nos sentidos sensoriais, se aproximando ainda mais das vivências e sensações dos personagens.

As exibições ainda contarão com The Watermeloon Woman (1996), de Cheryl Dunye, Um Som Diferente (1990), de Allan Moyle, Os Donos da Rua (1991), de John Singleton, Garotos de Programa (1991), de Gus Van Sant, O Vídeo de Benny (1992), de Michael Haneke, O Balconista (1994), de Kevin Smith, Água Fria (1994), de Olivier Assayas, e O Ódio (1995), de Mathieu Kassovitz.

História Permanente do Cinema

O Cine Humberto Mauro dá continuidade nas sessões comentadas do História Permanente do Cinema, contando com exibições nas quintas-feiras, às 17h. Durante a Mostra Os Jovens Anos 90, serão exibidos os clássicos Festim Diabólico (1948), dirigido por Alfred Hitchcock, Jules e Jim (1962), dirigido por François Truffaut, e A Um Passo Do Abismo (1979), longa dirigido por Jonathan Kaplan que influenciou fortemente a trajetória do músico Kurt Cobain.