Objetivos

Créditos: Paulo Lacerda | ASCOM FCS

A PQNA Galeria Pedro Moraleida do Palácio das Artes recebe, de 12 de setembro a 11 de novembro, a exposição Arte Popular Brasileira

A partir de um recorte da produção popular brasileira atual, a mostra reúne 27 obras em madeira e cerâmica que abrangem o que há de mais expressivo e original nesse segmento. A exposição é composta de trabalhos dos artistas mineiros Ananias Elias, Artur Pereira, Geraldo Teles de Oliveira (GTO), José Ricardo Resende, José Valentim Rosa, Placidina Fernandes do Nascimento e Ulisses Pereira Chaves. Somam ao conjunto obras de João Cosmo Félix, do Ceará, Antônio Alves dos Santos, de Alagoas, Cícero Alves dos Santos, de Sergipe, Francisco Moraes da Silva, do Rio de Janeiro, e Lafaete Rocha Ribas, do Paraná.

Pertencendo em sua totalidade a coleções particulares mineiras, as obras da exposição Arte Popular Brasileira representam o modo de vida de um povo, reflexo de tradições, costumes e crenças. De acordo com o diretor do Centro de Arte Popular CEMIG e curador da mostra, Tadeu Bandeira, o objetivo da exposição é apresentar ao público obras de artistas brasileiros praticamente desconhecidos.

Créditos: Paulo Lacerda | ASCOM FCS

A disposição das obras foi organizada para que as peças possam ser vistas de vários ângulos – já que a sua maioria é esculpida na frente e no verso. A ideia foi não aglomerar ou trazer obras em grande número, para que o público absorva melhor o conjunto exposto. A mostra possui esculturas e algumas cerâmicas do Vale do Jequitinhonha, uma moringa (recipiente para água) de cunho utilitário e seis outras chamadas de ‘cabeças de milagres’ – representações segmentadas da cabeça isolada do corpo. De acordo com o curador da exposição, todas as obras possuem adornos, exigindo uma boa circulação do público para que sejam apreciadas. 

Créditos: Paulo Lacerda | ASCOM FCS

Outra curiosidade artística vem da obra de Chico Tabibuia (Francisco Moraes da Silva), artista fluminense cujas esculturas quase sempre contém símbolos fálicos. “O propósito da arte de Tabibuia não é pornográfico, e sim erótico. É uma expressão da força do Eros, deus do amor e erotismo, na dualidade masculino/feminino”, conta Bandeira. Já o artista mineiro GTO (Geraldo Teles de Oliveira) desenvolveu uma obra de caráter universal que avançou a linha do primitivo, atingindo outros conceitos e patamares. “Sua criativa obra é fruto de sonhos e visões, uma arte imaginativa e espontânea. Ele transcende um mundo de sonhos e uma poética intensa para suas esculturas”, conclui. 

ARTISTAS

Ananias Elias (1925 – 1989)

Nasceu em Varre Saia (MG) e iniciou sua vida profissional como agricultor e padeiro. Transferindo-se para Belo Horizonte, passou a dedicar-se à escultura, com a representação de figuras do cotidiano, ou seja, moças, rapazes e mães com filhos. Ananias gostava ainda de talhar animais com total liberdade de invenção. Ao longo da vida, recebeu importantes premiações como o Ibirapuera e o Santos Dumont. Em 1987, teve a oportunidade de participar da mostra Brésil, Arts Populaires, no Grand Palais em Paris.

Antônio Alves dos Santos (1953 – 2017)

Conhecido como Antônio de Dedé, nasceu em Lagoa da Canoa, Alagoas. Para garantir o sustento da família, trabalhou na roça e na carpintaria. Passou a esculpir bonecos com variadas formas inventivas, sendo chamado de “fazedor de bonecos”. Descoberto por colecionadores, vem sendo representado nas mais importantes galerias de arte do país. Em 2012 e 2014 suas obras obtiveram destaque nas exposições Histoires de Voir e Vivid Memories realizadas pela Fundação Cartier em Paris. 

Artur Pereira (1920 – 2003)

Artista mineiro nascido em Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana, é considerado hoje um dos grandes nomes da arte popular brasileira. De sua produção inicial com pequenas figuras de barro, partiu para monoblocos de cedro, com representações abrangendo elementos religiosos (presépios) e elementos rurais (caçadas, desmame das ovelhas, boiadas e animais variados). Em 1967, participou da exposição Brésil, Arts Populaires, realizada no Grand Palais, em Paris. O Instituto Moreira Salles organizou uma grande exposição com suas obras, que circulou por várias capitais do Brasil. Faleceu no pequeno distrito onde sempre viveu, deixando uma extensa obra em coleções particulares.

Cícero Alves dos Santos (1948 –) 

Apelidado de Véio, nasceu em Sergipe. Desde criança esculpia em cera de abelha, até encontrar em definitivo a madeira como matéria de expressão. O rancho onde mora é cercado por figuras talhadas em tamanho natural, criando uma atmosfera onírica. Em 2015 sua obra atravessou fronteiras e fez parte da 56ª edição da Bienal de Veneza, passando a ocupar as dependências e pátios da Abadia de São Gregório, com 104 esculturas de médio e grande porte. Desde então, sua arte situa-se no liame do popular com o contemporâneo.

Francisco Moraes da Silva (1936 – 2007)

Conhecido como Chico Tabibuia, nasceu no município fluminense de Casimiro de Abreu (RJ), sendo criado na extrema miséria. Aos dez anos de idade esculpiu sua primeira escultura e, dos 13 aos 17 anos, frequentou um terreiro de umbanda, passando a presenciar com frequência as entidades de exus e retratá-los nas esculturas. Tabibuia traz um elemento erótico/não pornográfico em sua arte, tentando exprimir a força de Eros na dualidade masculino/feminino.

Geraldo Teles de Oliveira – G.T.O. (1913 – 1990)

Mineiro de Itapecerica, viveu grande parte de sua vida em Divinópolis. Ao longo da vida, desenvolveu uma obra de caráter universal que extrapolou a noção de arte primitiva. Sua criativa obra é fruto dos sonhos do artista, criando uma arte imaginativa, onírica e espontânea. Também participou da exposição Brésil, Arts Populaires, realizada no Grand Palais, em Paris, sendo considerado um dos mais originais artistas brasileiros.

João Cosmo Félix (1920 – 2002)

Conhecido como Nino, nasceu e sempre viveu com sua família em Juazeiro do Norte, no Ceará. Iniciou sua arte fazendo brinquedos e animais de madeira, até alcançar esculturas de maior porte, com variadas e acentuadas cores, explorando cenas de reisados e de casamentos. Além de integrar importantes coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, sua obra teve também participação na exposição no Grand Palais em Paris, bem como na Mostra do Redescobrimento realizada pela Fundação Bienal de São Paulo no ano 2000.  

José Ricardo Resende (1964 –)

Também chamado de Zezin, conviveu desde cedo com a madeira na atividade de marceneiro. O artista vive e trabalha em Belo Horizonte, dedicando-se hoje exclusivamente a esse ofício. Filho de uma família proprietária de um parque de diversões itinerante, conviveu com um universo de cores e fantasias, que refletiram em sua produção artística. Passou a cortar pequenas peças de madeira, até atingir pesados e instigantes blocos com formas geométricas descompromissadas, sem qualquer rigor ou preocupação de equilíbrio matemático em uma geometria popular ou rural.

José Valentim Rosa (1914 – 1999)

Nasceu na cidade de Carandaí (MG), descendente de uma família de escravos. Já adulto, transfere-se para Belo Horizonte e passa a trabalhar na Central do Brasil, iniciando sua atividade artística de maneira informal, brincando com a madeira e a pedra-sabão. A figura humana se faz presente na maioria das obras, surgindo naturalmente e pelo aproveitamento da matéria prima, sempre personificando entidades divinas, construídas com muito rigor e simetria. Outro lado da sua obra está na representação de animais assustadores e desfigurados, altamente expressivos. Possui obras no acervo do Museu de Folclore Edison Carneiro e na Casa do Pontal, ambos no Rio de Janeiro.

Lafaete Rocha Ribas (1934 – 2003)

Conhecido como Lafaete, nasceu na Lapa, no Paraná. Exerceu inúmeras atividades até chegar na escultura, com seus santos e profetas, experimentando a cera, o barro, a pedra, até fixar-se na madeira. Apesar de considerar-se santeiro, sua notoriedade adveio da execução dos homens-bichos, extraordinárias esculturas que representavam a passagem do homem brasileiro do campo para a cidade. Assediado pela crítica especializada, transferiu-se para Curitiba onde veio a perder dois filhos e a sua própria casa em um incêndio. Desestimulado e com dificuldades financeiras, retornou à sua cidade natal em 1976, onde viveu da agricultura e da escultura até sua morte.

Placidina Fernandes do Nascimento (1930 – 1986)

Nasceu na cidade de Joaíma, em Minas Gerais. Iniciou sua vida profissional como parteira em Santana do Araçuaí, dedicando-se ainda à produção de cerâmica utilitária, fazendo potes. Passou a modelar bonecas e cabeças de milagres sob a orientação de vizinha e amiga, a famosa Dona Isabel. Sua arte reflete todo o sofrimento do povo da região, sendo considerada hoje uma das mais expressivas do Vale do Jequitinhonha.

Ulisses Pereira Chaves (1924 – 2006)

Conhecido como Sr. Ulisses, foi um grande ceramista do Vale do Jequitinhonha, com um imaginário diferenciado e muito original. Trabalhou com representações de seres fantásticos com várias cabeças, pássaros com pés humanos, dentre outras esculturas de caráter universal. Sua arte advém de gerações familiares anteriores, tendo hoje continuidade através dos filhos Margarida e Zé Maria. Possui uma importante obra em coleções particulares e instituições como o Memorial da América Latina em São Paulo, além dos museus Edison Carneiro e Casa do Pontal no Rio de Janeiro. 

VISITAS MEDIADAS

Com o propósito de difundir conceitos importantes sobre as artes visuais, cultura e contemporaneidade, a Fundação Clóvis Salgado realiza visitas mediadas às galerias de artes visuais e de fotografia do Palácio das Artes e da CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais. A mediação é realizada pelos professores da Escola de Artes Visuais do CEFART.

As Visitas Mediadas acontecem às terças, quartas e quintas-feiras, às 9h30, 14h, 15h30 e 19h etêm a duração máxima de 1 hora e 30 minutos.

Os agendamentos são realizados exclusivamente pelo e-mail agendamento.galerias@fcs.mg.gov.br

 Este evento tem correalização da APPA - Arte e Cultura

Data de início

12 de Setembro de 2018

Data de término

11 de Novembro de 2018

Endereço

PQNA Galeria Pedro Moraleida | Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, centro. BH)

Preço

Entrada Gratuita

Mais informações

EVENTO

Exposição Arte Popular Brasileira

HORÁRIO

De Terça-feira à Sábado de 09:30hs às 21:00hs 

Domingo de 16:00hs às 21:00hs

CLASSIFICAÇÃO LIVRE

INFORMAÇÕES PARA O PÚBLICO
(31) 3236-7400

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