Fotos: Guto Muniz
O Galpão retoma suas origens de teatro de rua com
Till, a saga de um herói torto, escolhido a partir da montagem de quatro cenas realizadas em março de 2009 e dirigidas por integrantes do Grupo. A montagem foi campeã de preferência nas opiniões enviadas pelas pessoas que assistiram à apresentação das cenas, realizada a partir do texto “Till Eulenspiegel”, de Luís Alberto de Abreu. Seu universo marcado pela cultura popular da Idade Média já era também um dos prediletos entre os atores do Galpão por seu caráter eminentemente popular e sua linguagem de teatro narrativo, de grande comunicação com o público .
Em 2009, o espetáculo percorreu 24 cidades do Brasil e reuniu mais de 80 mil pessoas.
Coerente com uma trajetória de permanente troca com o público, o Galpão convidou os interessados para acompanhar a construção do novo espetáculo de dentro do processo de montagem, realizando diversos ensaios abertos na sede do Grupo e no Galpão Cine Horto.
Com direção de Júlio Maciel, cenário e figurinos de Márcio Medina e direção musical de Ernani Maletta, o espetáculo representa a volta do Grupo Galpão ao teatro de rua e suas formas de representação popular. Para o Grupo, a rua é um espaço importante para a democratização da arte e do teatro. “Ela nos traz desafios de como apresentar o espetáculo para um público amplo e sem restrições de idade, classe social ou formação intelectual. Isso tem reflexos em todos os elementos de criação, como a dramaturgia, a cenografia, os figurinos e a música”, afirma Eduardo Moreira, integrante do Galpão.
Este será o quarto espetáculo com direção de integrantes do Grupo. O primeiro foi "Foi por Amor", com direção de Antonio Edson, em 1987. Dez anos depois, já em 1997, Eduardo Moreira dirigiu "Um Molière Imaginário". A última peça com direção interna foi "Um Trem chamado desejo", no ano de 2000, direção de Chico Pelúcio.
Till, a saga de um herói torto
Um dia, na eternidade, o Demônio aposta com Deus que se tirasse do homem algumas qualidades, ele cairia em perdição. Deus, aceitando o desafio, resolve trazer ao mundo a alma de Till. Vivendo em uma Alemanha miserável, povoada de personagens grotescos e espertalhões, logo de início nosso protagonista é abandonado em meio ao frio e a fome e descobre que a única maneira de sobreviver naquele lugar é se tornar ainda mais esperto e enganador. Assim começa sua saga cheia de presepadas e velhacarias.
Criado pela cultura popular alemã da Idade Média, Till é o típico anti-herói cheio de artimanhas e dotado de um irresistível charme. Um personagem que tem parentesco com outros tipos de várias culturas, por exemplo, que se assemelha muito ao nosso Macunaíma ou ao ibérico Pedro Malasartes.
Além de Till e uma infinidade de rústicos personagens medievais, a peça conta também a história de três cegos andarilhos que buscam a redenção, sonhando alcançar as torres de Jerusalém e salvar o Santo Sepulcro das mãos dos infiéis.
Num mundo em que é cada vez mais marcante a presença dos excluídos e dos desprovidos de qualquer suporte material, a parábola das aventuras do anti-herói Till Eulenspiegel torna-se de uma atualidade inquietante.
A comédia popular está presente de forma muito marcante em vários espetáculos do Galpão, especialmente em “A Comédia da Esposa Muda”, “Um Molière Imaginário” e “Um Trem Chamado Desejo”.
Música
A direção musical do espetáculo é assinada por Ernani Maletta, que trabalha com o Grupo desde 1994. A trilha sonora, composta por 12 canções, possui temas variados, marcados por músicas do cineasta e músico sérvio Emir Kusturica, composições próprias e cantigas de roda. “O espetáculo tem uma unidade sonora que é a combinação de duas fontes que nos guiaram desde o início, a sonoridade que as músicas do Kusturica têm, mais rasgada, mais metálica, mais jocosa, e a música medieval, que possui alguns intervalos sonoros característicos, que tem uma estrutura particular”, informou Maletta.
As cantigas de roda f0oram reconstruídas e ganharam uma sonoridade semelhante às músicas medievais e as do Kusturica, preservando a originalidade das mesmas.
Nesta nova montagem, Ernani Maletta introduziu ao Grupo uma nova metodologia de trabalho: “Transformo a estrutura rítmica da frase musical numa estrutura poética, para que eles, memorizando a poesia, memorizem também a estrutura rítmica da música. Com isso, consegui um resultado musical acima da média, independentemente dos atores não serem profissionais da música.”
Iniciação ao “bufão”
Especialmente para a nova montagem, o Galpão participou de um workshop sobre “bufões” com o preparador corporal Joaquim Elias, estudioso do assunto. “O universo de TILL está repleto desses tipos bufonescos, mendigos, cegos, deficientes do físico e da moral. Ele próprio - o Till - é uma dessas inúmeras manifestações de arquétipo do bufão”, ressaltou Elias.
Além disso, desde março, três vezes por semana, o preparador trabalha com o grupo exercícios de respiração, soltura das articulações, jogos de rítmica corporal e interação grupal.
Figurino
Foram confeccionados 31 figurinos em um ateliê especialmente montado para o espetáculo, composto por duas costureiras, uma modelista e três aderecistas. Além disso, a equipe contou com a ajuda dos alunos do Núcleo de Pesquisa em Figurino do Galpão Cine Horto. Quem assina a assistência de figurino é o ator Paulo André, um dos integrantes do Grupo Galpão.
Para remeter ao período medieval na Alemanha, os tecidos usados são artesanais, de fibras naturais e foram tingidos à mão. Todo o material é reciclado. Fazem parte das roupas também panos de saco de chão usados, coletados nas residências da equipe do Galpão e tecidos de figurinos de espetáculos anteriores que não são mais usados. As roupas passaram também por um processo de envelhecimento. Como os atores interpretam vários personagens, cada um possui um macacão base e o material é leve, para facilitar seus movimentos.
Segundo Márcio Medina, o figurino possui uma dose de humor misturado com o grotesco. “Tivemos uma influência do pintor flamengo Hieronymus Bosch. Em suas obras encontramos figuras estranhas, bicho comendo gente, gente comendo bicho, ele tem um pouco desse universo e nós nos inspiramos nele tanto cromaticamente, como nas formas”, afirmou.
Os adereços têm um papel fundamental no figurino. Cada personagem possui um que caracteriza a sua personalidade. Para a confecção deles foram usados materiais rústicos, como panelas, galhos de árvores, ferragens, borracha, entre outros.
Cenário
Com um palco ao ar livre de dez metros de comprimento por sete de largura, o cenário está em harmonia com o figurino, com materiais recicláveis e objetos rústicos.
Carrinhos de mão comprados em mercados tradicionais da cidade são usados como palco praticáveis. Márcio Medina lembra que a história de Till está sempre ligada à venda e esses carrinhos criam esse efeito de mercadoria, além de dar mobilidade aos atores. Outro objeto do cenário que pode ser visto nas ruas de Belo Horizonte e que está sendo usado em contexto diferente na montagem, é a vassoura usada pelos garis da Prefeitura.
Para ter um público mais próximo do espetáculo, Márcio Medina optou por um palco horizontal e com profundidade menor, que possui um fundo falso, uma espécie de coxia, além de vários alçapões, de onde os atores entram e saem de cena.
Parceria Petrobras
Tantos cuidados na definição do melhor projeto a ser desenvolvido, o chamamento da participação do público e a possibilidade de realização de workshops e ensaios abertos são privilégios de que o Grupo Galpão usufrui em decorrência da parceria com a Petrobras, patrocinadora exclusiva do Grupo desde o ano 2000.
A Petrobras é patrocinadora exclusiva do Grupo Galpão.
>> Veja a ficha técnica do espetáculo
>> Conheça a equipe técnica do espetáculo
Serviço:
Evento: Till, a saga de um herói torto - Grupo Galpão - 36ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança
Data: 25 a 28 de fevereiro de 2010
Horário: Quinta a Sábado - 21h; Domingo 19h - Sessão extra: 16h30
Local: Grande Teatro do Palácio das Artes
Valor: R$24,00 (inteira), R$12,00 (meia entrada) / R$10,00 – Postos do Sinparc (Meia entrada conforme a lei)
Classificação etária: livre
Duração: 1h30
Balcão de informações: (31) 3236-7400
------------------------------------------------------------------------------------------------
*Atenção
Meia-entrada para estudantes e maiores de 60 anos, conforme a lei.
Acatando a recomendação do Ministério Público, por meio, das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, Promotoria e Justiça de Defesa do Consumidor e PROCOM–MG, em conjunto, o valor da meia–entrada estudantil é válido para estudantes regularmente matriculados na rede oficial de ensino, público ou particular de 1º, 2º e 3º graus, compreendendo os alunos de pós–graduação, mestrado, doutorado e aqueles matriculados em cursos pré–vestibulares previamente credenciados junto à UNE (União Nacional dos Estudantes), UEE/MG (União Estadual dos Estudantes), UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) ou UCMG (União Colegial de Minas Gerais).
Será exigida a identificação no ato da compra e na entrada do evento por meio da apresentação de identificação estudantil (carteira de estudante) e comprovante de matrícula na rede oficial de ensino, público ou particular, no ano corrente.